CHEGOU QUANDO?

1. A TERRA DE ISRAEL NOS TEMPOS DE JESUS

 1.1 - O Filho de Deus na história humana. A Bíblia revela que o Verbo de Deus se fez carne, e habitou entre nós (Jo 1.14). Chamamos esse evento de encarnação, através do qual Deus, em Cristo, tornou-se semelhante aos homens (Fp 2.7; Gl 4.4,5), ingressando no curso da história da humanidade. Trata-se de algo extraordinário: aquele por quem e para quem foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra (Cl 1.15,16), assume um lugar dentro da sua própria criação. O advento de Cristo entre os homens não é um mito, mas uma realidade. Nossa próxima lição falará de forma mais abrangente acerca da Encarnação
1.2 – Palestina ou Israel? O local escolhido para a morada terrena do Filho de Deus foi a terra de Israel no início do primeiro século, região popularmente chamada de Palestina. Segundo o Dicionário Wycliffe, o nome Palestina foi originalmente empregado por Heródoto (século V a.C.) numa alusão aos filisteus, que incluiu nessa designação a Fenícia situada ao norte. Entretanto, tal termo ganhou mais evidência em 135 d.C., quando o Imperador romano Adriano substituiu o nome da região da Judeia por Síria Filisteia, na tentativa de acabar a forte ligação dos israelitas com a terra sagrada, após a revolta judaica liderada por Simão Bar Kochba contra o Império Romano. Nessa mesma época, o nome de Jerusalém foi alterado pelos romanos para Aelia Captolina. Entretanto, a Bíblia não menciona a palavra Palestina, chamando a região de Canaã (Sl 105.11), terra de Israel (Mt 2.19-21), terra da promessa (Hb 11.9) e terra santa (Zc 2.12). Na época de Jesus, Galileia, Judeia e Samaria eram os nomes das suas principais regiões (Jo 4.3-7). 1.3 – Nascimento e obra na terra de Israel. Jesus nasceu em Belém (Mt 2.1), mas viveu grande parte da sua vida na região da Galileia (Jo 4.3). Por ter sido criado em Nazaré (Lc 4.16), terra natal de José e Maria, chamavam-no de Nazareno (Mc 14.67; Jo 18.7). Era uma cidade pequena e de pouca importância, tanto que, ao receber o convite para seguir o Mestre, Natanael exclamou: “Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?” (Jo 1.46). Depois da sua rejeição nesta cidade (Lc 4.29), Jesus foi para Cafarnaum (Lc 4.31; Mt 4.13; 8.5), às margens do Mar da Galileia, onde realizou vários prodígios e maravilhas. As Escrituras ainda destacam outras cidades e vilarejos que o Mestre percorreu para anunciar o Reino de Deus e cumprir o seu ministério (Lc 7.11; 8.26), vindo a consumar a sua obra redentora em Jerusalém (Mt 20.18).

2. O DOMÍNIO ROMANO E A POLÍTICA

2.1 – Domínio romano. Para compreender o contexto político daquela ocasião, é preciso lembrar que o Império Romano dominava a terra de Israel desde 63 a.C., e assim seu poder e influência abrangem todo o contexto do Novo Testamento. No nascimento de Jesus, César Augusto (27 a.C. — 14 d.C.) era o Imperador (Lc 2.1,2), Herodes “o Grande” havia sido nomeado o “Rei da Judeia” (Mt 2.1,3). Quando Herodes morreu, seu reino foi dividido entre seus filhos: Herodes Antipas, Herodes Filipe e Arquelau (cf. Mt 2.22; Lc 3.1). Contudo, Arquelau não conseguiu manter a ordem nas regiões de Samaria, Judeia e Idumeia, e um procurador romano foi nomeado. Pôncio Pilatos (Mt 27.2) foi o quinto procurador e governou a região antes governada por Arquelau; porém, ele não tinha jurisdição sobre a área da Galileia e Pereia pertencentes a Herodes Antipas (cf. Lc 23.5,6). Após a morte de César Augusto, seu enteado Tibério César (14 — 37 d.C) assumiu o Império Romano (Lc 3.1). Era dele a imagem estampada na moeda sobre a qual Jesus afirmou: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus, o que é de Deus” (Lc 20.25). A efígie do imperador na moeda servia para tornar conhecido o rosto do seu governante.

2.2 – Tensão política. A tensão política e a instabilidade social pairavam no ar. O poder de Roma era contrastado por agitações, inquietação popular e também pelos diversos interesses dos grupos político-religiosos judeus. Apesar da ocupação, os israelitas tinham permissão para manter seus costumes e tradições religiosas, enquanto não conflitassem diretamente os interesses do Império. Desse modo, a política era caracterizada pelo domínio romano, mas o poder interno era exercido pelo Sinédrio (Mt 27.1), o tribunal para julgamento e aplicação das leis judaicas. Cada cidade poderia ter um Sinédrio Local (Mt 10.17; Mc 13.9) formado por 23 membros. O Grande Sinédrio, composto por 70 ou 71 membros, era a mais elevada corte judaica. Reunia-se em Jerusalém e tinha o poder de resolver todas as questões que estavam além da competência das cortes locais. O processo e o julgamento de Jesus evidenciam a complexidade do sistema político e legal existente naquele início de século, caracterizado pela confusão entre a autoridade romana e a jurisdição religiosa judaica.

2.3 – Os publicanos. Os oficiais romanos vendiam o direito de cobrar tributos numa determinada área a quem pagasse melhor. Com isso, alguns dentre os judeus também trabalhavam para Roma como cobradores de impostos, chamados publicanos. Eles eram odiados pela população, porque extorquiam o povo e porque eram considerados traidores. Zaqueu, chefe dos publicanos, admitiu esse tipo de prática corrupta, mas ao encontrar-se com Jesus afirmou que devolveria quatro vezes o que recebera indevidamente (Lc 19.8). Ainda hoje, a corrupção tem provocado grandes males na sociedade. Pessoas que deveriam utilizar as verbas públicas para promover benefícios sociais, desviam-nas para seus próprios bolsos.

3. A ECONOMIA E O TRABALHO

3.1 – Aspectos econômicos. As principais fontes da economia israelita estavam na produção agrícola, na pesca e no trabalho pastoril. Nos dias do Novo Testamento, o domínio romano e a construção de novas estradas também fizeram aumentar o comércio. As viagens tornaram-se mais seguras, e a Judeia, por exemplo, passou a exportar maiores quantidades do fruto das oliveiras. Este é o contexto de que se valeu o Senhor Jesus para proferir seus ensinamentos e parábolas, usando uma linguagem simples e com figuras relacionadas à vida agrícola (Mt 24.32; Mc 4.1-20). Isso nos instrui a aproveitar o contexto social em que estamos para anunciar o Evangelho, mas sem desfigurar a essência da Palavra.

3.2 - Funcionamento do comércio. Existiam os mercados públicos onde as pessoas compravam e vendiam seus produtos, como cereais, frutas e até mesmo animais. Eram locais bem movimentados, para onde os desempregados iam na esperança de conseguir trabalho (Mt 20.3-10). As negociações comerciais eram feitas por meio de troca de mercadorias (Lc 16.5,6) ou em dinheiro. O denário (Mc 12.15; Lc 7.41). por exemplo, era uma moeda romana e representava, em geral, o salário por um dia de trabalho. A dracma (Lc 15.8-10) era uma moeda de origem grega, e equivalia a um denário.

3.3 - Trabalho e profissões. Os trabalhos e ofícios giravam em torno das atividades produtivas de cada região. Assim, em algumas localidades prevaleciam os trabalhos agrícolas (Mt 13.4), do arado da terra ao armazenamento dos produtos. Em outras, predominavam o pastoreio e a pesca, como o exemplo dos primeiros discípulos que trabalhavam junto ao Mar da Galileia (Mt 4.18,19). Ainda tinham os tecelões, comerciantes e artífices de obras de barro, metal e madeira. O próprio Jesus era carpinteiro (Mc 6.3), cujo trabalho envolvia a construção e a fabricação de objetos menores, inclusive mobílias. 

4. GRUPOS RELIGIOSOS DOS TEMPOS DE JESUS

4.1 - Os fariseus Muito embora se atribua ao termo ‘fariseu’ o sentido de ‘separado’ este significado não é uma certeza. Porém, sabe-se que era o grupo mais seguro da religião judaica (At 26:5), e que surgiu por volta da guerra dos macabeus, com a finalidade de oferecer resistência ao espírito helênico trazido por Roma e que possuía, em seu interior, a intenção de preservar o judaísmo e suas crenças ortodoxas. Muito embora, Enéas Tognini declare que “há dois grupos terrivelmente antagônicos desses “fariseus”: separatistas e liberais. O primeiro se opunha terminantemente às influências helenísticas na Palestina, enquanto o segundo era favorável”. Um dos fatores que mais colaborou para a organização deste partido foi a perseguição promovida por Antíoco Epifânio. Segundo Josefo, os fariseus criam no livre-arbítrio do homem, na imortalidade da alma, na ressurreição do corpo, na existência de anjos, na direção divina de todas as coisas, nas recompensas e castigos na vida futura, na preservação da alma humana após a morte e na existência de espíritos bons e maus. Contudo, Jesus denunciou severamente este grupo por causa de sua hipocrisia e orgulho. Em linhas gerais, podemos afirmar que este grupo surgiu por uma boa razão, mas seus objetivos foram desvirtuados no decorrer do tempo, especialmente porque não se deve apenas adquirir o conhecimento ou defendê-lo, mas colocá-lo em prática. Por essa razão, o termo fariseu tornou-se sinônimo de hipócrita. Tanto que o próprio Jesus afirma: “… tudo o que vos disserem, isso fazei e observai; mas não façais conforme as suas obras; porque dizem e não praticam” (Mt 23:3). Ao extrairmos os ensinos que a história deste grupo nos traz, podemos iniciar uma maratona de cautela e vigilância, porque a defesa da fé deve ser feita alicerçada no amor bíblico e não em bases religiosas fanáticas e desprovidas de contextualização da Palavra.

4.2 – Os saduceus Era o grupo que fazia oposição aos fariseus. O surgimento desse grupo traz alguma controvérsia, pois as suas origens são desconhecidas. Alguns acreditam que deve ter surgido com Zadoque, um sacerdote do período do rei Davi. Este grupo era mais sacerdotal e aristocrático e, sendo mais fechado, não fazia questão de popularização. O estudioso Schubert afirma que de 539 a.C. (período do domínio persa), até o período de Alexandre, o Grande, as famílias dos sumos sacerdotes se mostravam complacentes com os vizinhos pagãos, vivendo em harmonia com os povos helênicos. Os saduceus eram compostos por homens educados, ricos e de boa posição social. Em geral, tinham crenças opostas a dos fariseus. De acordo com Flavio Josefo, os saduceus negavam a ressurreição e juízo futuro, criam que a alma morria com o corpo, negavam a imortalidade, negavam a existência dos anjos e dos espíritos, criam que Deus não intervinha nas vidas dos homens, não tinham as mesmas crenças que os patriarcas, negavam a existência do Sheol (inferno) e só depositavam a crença naquilo que a razão pura pudesse provar (Racionalismo). De forma geral, o Novo Testamento apresenta de forma negativa um resumo da crença dos saduceus: “os saduceus dizem que não há ressurreição, nem anjo nem espírito” (At 23:8). Com isso, percebemos que este era um grupo que interpretava as Escrituras utilizando como base os mesmos pressupostos que futuramente passaram e ser denominados de ‘humanistas’ (vivenciamos isso a partir da teologia liberal), desconsiderando o caráter divino, espiritual e sobrenatural. Franklin Ferreira faz a seguinte declaração acerca da crença dos saduceus: “Os saduceus, com o seu repúdio à doutrina da ressurreição e descrença na existência de seres angelicais, podem ser considerados como precursores dessa corrente de interpretação das Escrituras. Pouco se sabe sobre a origem desse partido judaico, mas parece haver adotado uma posição secular-pragmática de interpretação das Escrituras. Ao negarem verdades básicas das Escrituras, os saduceus podem ser considerados, guardadas as devidas proporções, como os modernistas ou liberais da época.” Por isso, conclui-se que enquanto os fariseus eram os conhecedores da Escritura, mas hipócritas, os saduceus eram os líderes, mas mercenários e humanistas, no uso geral do termo. Por causa de suas atitudes venais e suas más práticas começaram a se tornar impopulares. A influência dos saduceus era grande, mas sua fidelidade a Deus mínima. A riqueza dos saduceus era grande, mas sua integridade mínima. A influência política e religiosa dos saduceus era grande, mas seu caráter era mínimo. Ao extrairmos os ensinos que a história deste grupo nos traz, podemos concluir que há uma profunda semelhança na sociedade moderna com os saduceus, já que presenciamos uma diversidade de líderes religiosos que têm se prostituído por causa de benefícios financeiros, status e vantagens pessoais.

4.3 - Os samaritanos Atribui-se a origem dos samaritanos a ocasião quando Sargom tomou Samaria para o cativeiro e tentou desnacionalizá-los misturando-os com os babilônios (II Rs 17:24). Talvez esse tenha sido um dos motivos pelos quais os outros judeus abominavam os samaritanos, considerando-os a escória da sociedade. Além disso, os samaritanos eram acusados pelos judeus de serem oportunistas, procurando ficar do lado dos judeus apenas quando estes estavam em ascensão. Este grupo era frequentemente ridicularizado e desprezado pelo restante dos judeus. Joachim Jeremias, ao citar a obra de Levi VII , afirma que “a partir de hoje Siquém será chamada a cidade dos idiotas, porque nós zombamos deles como se zomba de um louco”. Costumeiramente, os samaritanos adoravam no templo, porém, ao voltar do cativeiro os judeus os proibiram de participar da reconstrução de Jerusalém, e o genro de Sambalate, que era sacerdote, foi expulso dali por Neemias. Por não terem ‘sangue puro’, não possuir religião judaica, por serem acusados de oportunismo, porque o sacerdote (genro de Sambalate) foi expulso do convívio social e por serem proibidos de participar da reconstrução, começaram a se empenhar contra a obra que Neemias estava fazendo. Então, Sambalate construiu um templo rival ao de Jerusalém, no monte Gerizim. Ainda, para piorar a situação, desde a construção deste segundo templo, a situação entre judeus e samaritanos se agravou, e o clima de ódio e desprezo se torna cada vez maior, como nos apresenta o livro apócrifo de Eclesiástico ao afirmar que “há dois povos que minha alma abomina, e o terceiro, que aborreço, nem sequer é um povo: aqueles que vivem no monte Seir, os filisteus, e o povo insensato que habita em Siquém” (Eclesiástico 50:27,28). Sabendo que este denominado “povo insensato que habita em Siquém” são os samaritanos. Ainda, os samaritanos mantinham crenças semelhantes à dos saduceus. Apesar de todas as acusações do judaísmo contra os samaritanos, encontramos diversas passagens bíblicas, neotestamentárias, nos mostrando a pregação do Evangelho para os samaritanos (Lc 17:16; Jo 4; At 1:8; At 8:5,14; At 9:31) e até uma conduta destes que é contraposta à conduta do farisaísmo (Lc 10:25-37). Ao extrairmos os ensinos que a história deste grupo nos traz, podemos concluir que o verdadeiro evangelho não faz acepção de pessoas, e trata a todos de igual para igual, independente dos erros passados.

4.4 – Os essênios Enquanto os fariseus se tornaram sinônimos de hipócritas e os saduceus de mundanismo, o essenismo se torna sinônimo de isolacionismo, isto é, vida separada e afastada de todos. Os essênios surgiram na tentativa de manter a instrução Escriturística viva, assim como os fariseus, mas sem a hipocrisia característica desse grupo, e a busca por uma vida de fidelidade e compromisso, diferentemente dos saduceus. Por isso, Charles C. Ryrie afirma que o “essenismo foi uma reação ascética ao externalismo dos fariseus e ao mundanismo dos saduceus”. O problema é que eles pensavam que para se cultivar uma vida de santidade teriam que viver isolados do mundo, em um sistema de ascetismo. Basicamente, os essênios se dedicavam ao estudo das Escrituras, a oração e as lavagens cerimoniais, conhecidas como banhos Mikvah. Dividiam seus bens com a comunidade e eram conhecidos por seu trabalho e vida piedosa. Existe, ainda, a teoria da existência de dois grupos distintos de essênios, que é apresentada na Enciclopedia de la Biblia, que apresenta o grupo essênio de Qumran e outro, talvez, no Egito. Nos achados do Mar Morto, os manuscritos de Qumran, encontram-se evidências de que os essênios se isolaram por desejarem abandonar as influências corruptas das cidades judaicas. Eles se dedicaram a preparar o “caminho do Senhor”, crendo que o Messias viria, e consideravam-se o verdadeiro Israel. Segundo Josefo, os essênios, além de enviar suas oferendas ao templo, realizavam seus sacrifícios de forma diferente do restante dos judeus e acentuavam a importância da purificação. Por causa dessa diferenciação ritualística, os judeus os proibiram de sacrificar no templo, que os mesmos essênios afirmavam estar contaminado pela impureza da religiosidade social e judaica. O historiador Plínio, o velho, apresenta algumas características desse grupo: “Na parte ocidental do mar Morto os essênios se afastam das margens por toda a extensão em que estas são perigosas. Trata-se de um povo único em seu gênero e admirável no mundo inteiro, mais que qualquer outro: sem nenhuma mulher e tendo renunciado inteiramente ao amor; sem dinheiro e tendo por única companhia as palmeiras. Dia após dia esse povo renasce em igual número, graças à grande quantidade dos que chegam; com efeito, afluem aqui em grande número aqueles que a vida leva, cansados das oscilações da sorte, a adotar seus costumes (…) Abaixo desses ficava a cidade de Engaddi, cuja importância só era inferior à de Jericó por sua fertilidade e seus palmeirais, mas que se tornou hoje um montão de ruínas. Depois vem a fortaleza de Massada, situada num rochedo, não muito distante do mar Morto.” Ao extrairmos os ensinos que a história deste grupo nos traz, aprendemos que para haver uma vida de santidade e dedicação não é necessário o isolamento. A luz deve brilhar em meio as trevas e o sal deve temperar onde não há tempero.

4.5 - Os herodianos Era um grupo de judeus que acreditava na cooperação com Herodes, para haver o favorecimento dos judeus, muito embora Herodes considerasse a si mesmo um deus vivo, tentando helenizar Israel, exercendo forte pressão política sobre a nação judaica e buscando corromper os costumes judaicos. Historiadores como Jerônimo, Tertuliano, Epifânio, Crisóstomo e Teófilo revelam que os herodianos criam ser Herodes o Messias, surgindo em defesa de Herodes para adquirir algum tipo de benefício. Enéas Tognini declara que “os herodianos eram um partido mais político que religioso. Eram um com os saduceus em religião, divergindo apenas em um ou outro ponto político”. E Broadus Hale apresenta os herodianos como um grupo independente e oriundo de uma ala esquerdista dos saduceus. As informações acerca dos herodianos são poucas, porém, Saulnier e Rolland afirmam que os herodianos possuíam privilégios e regalias concedidas pelo governo de Herodes. Porém, parece que a finalidade política dos herodianos era se fortalecer o suficiente para depois se desligar do poder e dependência romana, pois havia ainda um sentimento de nacionalismo que se opunha a um poder estrangeiro. Esse grupo se colocava à disposição do governo romano, trabalhando como espiões que observavam continuamente possíveis situações que poderiam trazer problemas ao governo, como rebeliões políticas, insurreições ou movimentos messiânicos, a exemplo de Jesus e seus discípulos, como declaram Saulnier e Rolland. Ao passo que os zelotes eram fervorosos defensores de uma rebelião, os herodianos se tornam então seus opositores. Ao extrairmos os ensinos que a história deste grupo nos traz, perceberemos que existem, em todos os períodos de tempo, aqueles que sempre estarão dispostos a sacrificar as convicções em troca do recebimento de benefícios pessoais. Por isso, esse grupo é caracterizado por aqueles que buscam seus próprios interesses em detrimento do próximo, e o completo desapego das verdadeiras convicções e princípios, a começar pelos princípios éticos e Escriturísticos. Para estes, o que mais importa é estar ao lado daquele que lhes proporciona benefícios, pois assim poderão experimentar os resultados trazidos pela influência e status do poder.

4.6- Os zelotes Os zelotes são um grupo que se destaca como sendo o mais radical dentro do judaísmo. Foram os principais responsáveis por produzirem os levantes contra Roma, provocando a Guerra judia (66-70 d.C.), culminando na destruição de Jerusalém e do Templo. Os zelotes tornaram-se sinônimos de ‘fervorosos’, e foram os que uniram o fervor religioso com o compromisso social. Este grupo rebelde idealizava a vinda do Messias mediante uma ação revolucionária, que resultaria em sua libertação das mãos opressoras de Roma e do helenismo. De acordo com Horsley e Hanson o zelo por Deus e pela Lei de Deus não pode ser utilizado como características para se denominar um grupo, pois de certa forma todos os grupos judeus possuíam essa característica. No entanto, o que caracteriza os zelotes não é apenas esse zelo, tão somente, mas a manifestação desse zelo através do desejo de revolução e luta como meio de libertação. Isso é o que o faz diferente de outros grupos.

Material de Apoio http://pt.slideshare.net/nayaradamasceno/lio-3-ebd-jesus-e-os-grupos-poltico-religiosos-de-sua-poca http://catolicadeanapolis.edu.br/revmagistro/wp-content/uploads/2015/08/Jesus-em-seu-contexto.pdf

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