Provavelmente você já tenha ouvido a canção "Epitáfio" dos Titãs. Durante alguns momentos nostálgicos o compositor analisa a sua vida para refletir o que fora feito dela. Para apreendermos melhor segue parte da canção:

Devia ter complicado menos, trabalhado menos 
Ter visto o sol se pôr 

Devia ter me importado menos com problemas pequenos 
Ter morrido de amor 
Queria ter aceitado a vida como ela é 

A cada um cabe alegrias e a tristeza que vier

                 Não consigo perceber Sergio Britto compondo como quem vê a vida após a morte e a descreve como o fez Machado de Assis em "Memórias póstumas de Bras Cubas", onde o defunto-autor descreve suas peripécias e frustações, mas nessa canção se percebe alguém que compreendeu como poucos a frivolidade de uma vida que passa rapidamente. A Bíblia compara a existência humana como um vapor que aparece e logo some, como a erva que é bela e encanta mas com o tempo murcha. Nosso cotidiano nos desfavorece para analisarmos a vida. Se perguntasse a você o que fez hoje, posso imaginar que demonstraria uma lista de afazeres que consumiram o seu tempo.  Você acordou um pouco atrasado, correu para trocar de roupa, tomou o café e disparou para o trabalho. Fez coisas por puro mecanicismo e outras até foram lapsos criativos. Ao chegar a noite está tão cansado que a única voz que quer ouvir é a do seu próprio ronco na cama. Estamos consumidos! Cansados de nós mesmo!
                   Onde está o tempo para as revisões? Precisamos também fechar para balanço. Como você imagina a sua vida assim o é. As projeções que fazemos do que somos são essas que delineiam a nossa vida. Existe aquilo que dizem de você e há aquilo que você faz com o que disseram de você. Ser o retrato da projeção alheia é não ser autêntico. Você já se deparou pensando qual o motivo de se portar em determinados confrontos com a vida. Não podemos deixar de perceber que o ser que você é hoje o é por um acúmulo de experiências de pessoas que passaram na sua vida e não foram "exorcizadas". Porque digo isso? Bem, não teríamos problema com as experiências que habitam em nós se tratássemos uma a uma , assimilássemos o que é bom e descartássemos o ruim. Todavia, infelizmente não é assim que procedemos. Somos por vezes exigentes de mais em determinadas instâncias da nossa vida e em contrapartida flexíveis demais em outras. Não há problemas para quem não consegue se encarar no espelho, pois aqueles que assim fazem se percebem diante de uma profunda angústia que os move para um redirecionamento para a evolução do seu ser ou mesmo na amortização de suas forças. Amortização essa que pode ter conseqüências dolorosas na vida de um individuo, conduzindo-o para uma depressão e no pior dos enfrentamentos, o desejo da morte. A liquidação da vida para alguns é a solução mais provável, pois ao se enxergar por inteiro não se consegue viabilizar a mudança.
                                Por isso, é fato encararmos que existe aquilo que dizem de você, aquilo que você imagina que é, e o que realmente você é. O ultimo fator é o que promove o engrandecimento do ser, pois faz com que este passe por constantes revisões de objetivos, conceitos, ideais, e o redireciona ao seguinte epitáfio: Nasci, Cresci, Amadureci, Analisei, reanalisei e Morri.

Tiago Sant'Ana Cezar

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